domingo, 12 de outubro de 2025

Deriva demorada no Parque registros e mapeamento sensível







 

Tentativa de esgotamento do parque municipal

11 de outubro de 2025
13:00 vejo alguém deitado atrás do tronco da árvore
13:02 passa uma pessoa correndo
13:05 casal caminha tranquilamente
13:14 passa um ciclista
13:17 se aproxima um grupo de garis e começa a juntar as folhas caídas na rua
13:24 o moço deitado atrás da árvore vai embora
13:29 eu vou embora


quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Fichamento Lições de Arquitetura

Relembrando o aspecto de responsabilidade do projetista abarcado por Flusser, Herman Hertzberger nos primeiros capítulos da obra critica a relação público e privado maniqueísta no qual ela foi direcionada. Ele comenta ser prejudicial pelo fato de o espaço público cada vez mais ser menos valorizado por quem o frequenta: as ruas comunitárias de encontro entre vizinhos, de convivência, diálogo e relação fora das habitações com o passar do tempo foram se perdendo. Quem nunca ouviu de uma avó, tio, mãe e pai e de outros mais vividos como ficavam o dia inteiro fora de casa brincando na rua junto com as crianças, fofocando com os vizinhos quando chegam do trabalho e etc... Creio eu que tal fenômeno ocorreu naturalmente no contexto brasileiro dos bairros periféricos e residenciais, porém, Hertzberger provoca o leitor demonstrando que o Urbanismo e Arquitetura atual não pensam no seu sentido conciliador de juntar pessoas nos espaços construídos, principalmente o público.
Prédio, portaria, garagem, muro ou casa, garagem e grade; mais pra frente Herman irá abordar as "fortalezas" criadas para nos fecharmos em nosso protegido lar. Desse modo as ruas que antes eram sinônimos de dinamismo e vivacidade se transformam em locais inóspitos e inseguros pela falta da gradação entre o espaço privado da casa e o espaço público. No caso da rua, hoje em dia, devido ao aumento da criminalidade, por exemplo, para garantir o bem estar e integridade apenas sua e da sua propriedade os habitantes da cidade delimitam a área restrita a sua responsabilidade de zeladoria.
Mas quem cuidará da rua, se a responsabilidade de todos não a contempla? Uma solução sugerida no livro seria a concepção dos espaços levando em consideração a transição sutil entre público e privado. Interioridade e exterioridade aplicada por meio de recursos arquitetônicos que provoquem ambiguidade dos conceitos, gerando no âmbito interno maior sensibilidade e menor encarceramento e no âmbito externo, a preocupação/proteção individual de quem o frequenta incentivando uma revivescência da rua.

domingo, 5 de outubro de 2025

SketchUp Sensitivo



 https://youtu.be/K9jBU0VvNo8?si=WqohUvkQxoTzky97



Fichamento do texto: Design: "Obstáculo para a remoção de obstáculo?"

Lygia Clark, Mário Oiticica e Julio Le Parc e todos os outros artistas comentados em sala de aula, em certo grau, tinham apreço pela interação obra e público. No texto de Vilém Flusser ele desloca o olhar do aspecto artístico para o prático, cotidiano e até sociólogo, diga-se de passagem, relacionando o desenvolvimento de utensílios, ferramentas, bugigangas, cacarecos, trens, coisas e “bichos” ao longo do desenvolvimento da humanidade. E como a partir desses apetrechos, nós conseguimos solucionar obstáculos naturais impostos. Fato curioso, pesquisando mais sobre os significados das palavras do ensaio, os verbetes “objeto” e “obstáculo” possuem a mesma origem etimológica: ambas derivam do latim obstaculum sugerindo a ideia de estorvo, empecilho, aquilo que estaria entre a vista e nossos olhos.
E nesse sentido o autor comenta como as concepções focadas apenas no objeto, e não na sua função agregadora, de diálogo e intersubjetividade entre pessoas, fizeram com que a materialidade perdesse parte de seu potencial. Flusser adverte sobre certa responsabilidade ao projetar levando em consideração a forma, função e relação de maneira balanceadas para garantir uma eficiência atemporal dos utilitários.
Porém, ele não idealiza a ponto de pensar em objetos eternos, entende todas as ferramentas como efêmeras e com prazo de validade para serem cristalizadas na sociedade e consequentemente descartadas. Até mesmo os softwares e programas que transgridem levemente a materialidade são alvos de serem um obstáculo a serem superados pelo fato de limitarem a livre arbitrariedade do usuário com comandos e instrumentos já pré-estabelecidos. Mas também são uma abertura aos projetistas a trabalharem tendo em mente agora apenas o imaterial, relacional e intersubjetivo em contraste ao objetivo, objetal é problemático.
Como futuros arquitetos e urbanistas podemos usar a mesma lógica nos espaços construtivos: não criaremos para nós, mas para as pessoas munidas de autonomia, capazes de usufruir o meio de todas as maneiras possíveis. Esse fenômeno se dá graças à estruturação responsável de quem as idealizou, no qual se lembrou de integrar a relação inventor, objeto e usuário determinando uma espécie de legado ao ambiente edificado. Ele irá se atualizar de maneira natural ou forçada de modo que foi ou não, concebido previamente e poderá também extrapolar a sua função pré determinada. O importante não é o prédio em si, nem é o próprio cliente, a chave é o processo de utilização sanando o grande obstáculo da moradia, do "objeto casa" e do teto sob nossas cabeças metaforicamente.

P.S.: Acho que depois de aproximadamente dois meses de aula estou começando a entender a matéria Fundamentos para Projetos de Arquitetura e Urbanismo vulgo Ateliê Integrado de Arquitetura (AIA) rsrsrsrsrsrs.

Zine Pavilhão