quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Fichamento: A teoria do não-objeto de Ferreira Gullar

A teoria do não-objeto, desenvolvida pelo poeta e crítico de arte Ferreira Gullar, surge como uma resposta e superação do neoconcretismo, movimento do qual foi cofundador. Gullar propõe uma ruptura com a tradição do objeto como entidade física e estática, argumentando que a arte deve libertar-se da materialidade para se tornar uma experiência viva e mutável. Para ele, o não-objeto não é algo que pode ser categorizado, mas sim um campo de relações, uma estrutura que se manifesta no tempo e no espaço por meio da interação do espectador. A obra de arte deixa de ser um produto final e se torna um processo contínuo em que o significado é construído no momento da realização. Essa abordagem prioriza a percepção sensorial, a intuição e a participação ativa do público, que deixa de ser apenas um observador passivo e passa a ser cocriador da experiência estética.
A essência da teoria de Gullar reside na crença de que a arte não se limita à forma ou à matéria, mas sim à "compreensão existencial" que ela provoca. O não-objeto busca expressar a totalidade da experiência humana, incluindo as dimensões de tempo, espaço e movimento. Esse conceito se manifesta mais claramente em obras neoconcretas como "Bichos", de Lygia Clark, e "Parangole", de Hélio Oiticica, onde o espectador é convidado a tocar, vestir e interagir com a obra, desafiando a ideia de que a arte é um objeto isolado em um pedestal. Para Gullar, essa dissolução da forma tradicional do objeto artístico não é uma negação da arte, mas uma expansão de suas possibilidades, permitindo que ela se integre plenamente à vida e se torne "realidade em si", acessível a todos.

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