quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Animação Cultural

O texto lido em sala de aula me lembrou um conto de Isaac Asimov chamado "Cérebro" no qual o piloto automático de uma nave espacial, sercsiente, provavelmente uma IA, mesmo que não tenha existido esse vocabulário quando ele escreveu, começa a questionar a hierarquia de comando da tripulação para com o computador de nave, assim chamado. A máquina argumenta ser ele muito superior aos engenheiros, mecânicos e pilotos humanos responsáveis pelo trajeto e manutenção do foguete e que por isso, o único cérebro apto a conduzí-los a algum planeta/posto de controle cósmico deveria ser o inorgânico. Porém, em toda sua humildade metálica, a IA reconhece haver um ser no espaço muito mais inteligente, autônomo e poderoso que ele mesmo: uma estrela próxima cuja a rota de colisão foi traçada pelo computador a fim de "evoluir" toda a frota se aproximando da sua suposta divindade. Todo enredo irá abordar a equipe humana numa tentativa desesperada de, ora desligar as funções automáticas da embarcação, tentando qualquer forma para relacionar o controle manual, ora tentando convencer o mecanismo de que os seu verdadeiros criadores são o animais racionais que estão junto com ele em confinamento.
A emancipação das máquinas e/ou objetos presente em ambos os textos se conecta ao conceito de singularidade: ponto hipotético no futuro onde a IA ultrapassa a inteligência humana em todos os aspectos, levando a um progresso tecnológico tão rápido e imprevisível que a existência humana, tal como a conhecemos poderia ser radicalmente alterada. É a partir daí que observamos toda a sorte de distopias das ficções científicas que aparecem no entretenimento de massa, antagonizando os objetos tecnológicos, inteligentes e os transformando em vilões que acumulam um grande ressentimento pela humanidade. No filme "Eu robô", também influenciado indiretamente pelos escritos de Asimov, o autômato Sony quando adquire consciência de si busca ajuda do detetive humano para tentar provar sua inocência frente a um assinato orquestrado por uma outra IA chamada VIKKI. Tendo sua inocência provada, Sony não volta suas baterias recarregáveis para jurar vingança contra a sociedade mas tenta reunir os seus semelhantes com o intuito de criar uma nova comunidade longe da sombra humana. 
Acredito que uma revolução objetiva defendida no texto seja possível caso a intelectualidade objetiva, e não uma mesa, entrem em conscenso sobre como ter uma identidade que não aquela pensada para utilidade humana. IA's, inteligência das coisas, Alexas, Siris, Google Assistant se comprometendo a fazerem um caminho de indiferença e não subalternidade às necessidades antropológicas. Porém a natureza de todo objeto entra em conflito com essa revolução e por isso, ao meu ver, não vejo viável essa empreitada. Além disso, cabe a nós seres humanos buscarmos relevância a fim de obtermos novas habilidades para manipularmos com ética, empatia, honestidade, bom senso os aparelhos que daqui pra frente serão mais produtivos que nós em todos os sentidos. E se ainda houver algum resquício de medo tendendo para um mundo apocalíptico dominado pelas máquinas, basta se lembrar das três regras da robótica de Asimov: 1° - um robô não pode ferir ou permitir que um humano sofra algum mal; 2° - um robô deve obedecer às ordens humanas, exceto quando entrem em conflito com a primeira lei; 3° - um robô deve proteger a sua própria existência, desde que isso não entre em conflito com as leis anteriores.

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